Desmistificando a cultura do acerto
“Professora, eu errei!”
Essa frase, tão comum em sala de aula, pode revelar muito mais do que parece. Preocupação? Frustração? Ou curiosidade sobre o que a criança estava pensando naquele momento?
Para nós, o erro não é um obstáculo, mas um convite. Um ponto de virada que pode transformar a forma como entendemos a aprendizagem.
A psicóloga Carol Dweck (Stanford University) mostrou em décadas de pesquisa que estudantes com mentalidade de crescimento não param diante dos erros. Eles os enxergam como dados valiosos. “Ainda não sei” tem muito mais potência do que “não sou capaz”.
O que acontece quando erramos?
Do ponto de vista neurológico, o erro ativa regiões do cérebro ligadas à atenção e à reorganização de estratégias. Em outras palavras, é o momento em que o cérebro aprende.
Pesquisas como as de Manu Kapur falam de erros produtivos: falhas que, quando exploradas e analisadas, geram novas tentativas mais informadas, desenvolvem resiliência e preparam o terreno para descobertas.
O risco da cultura do acerto
Quando o erro é visto apenas como falha, surgem comportamentos que limitam o aprendizado: medo de arriscar, ansiedade diante de desafios, preferência por tarefas fáceis e baixa tolerância à frustração.
Sabendo disso, buscamos promover espaços em que o erro é reconhecido como parte natural do processo. Isso pode acontecer quando:
– Valorizamos as tentativas.
– Fazemos perguntas investigativas.
– Compartilhamos nossos próprios erros.
– Mostramos o processo em múltiplas versões.
Em nossas jornadas, olhamos para o erro como um mapa do pensamento da criança. É ele que nos mostra caminhos, lacunas e oportunidades. A frase: “Quanto mais você erra, mais perto está de acertar” tem sua essência protegida dentro desse processo.
O convite de hoje é esse:
Que espaços você tem criado para que o erro seja visto como aliado da aprendizagem?
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