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O que aconteceu com a nossa curiosidade?

Há uma pergunta que talvez diga muito sobre a educação que recebemos:

Na infância, perguntar não é um adorno da curiosidade. É parte do pensamento em ação. Michelle Chouinard mostra que as perguntas das crianças funcionam como um mecanismo de desenvolvimento cognitivo: elas ajudam a preencher lacunas, organizar hipóteses e construir entendimento. Já Susan Engel, em The Hungry Mind, defende que a curiosidade é um motor central da aprendizagem, não um complemento dela.

Mas essa força não atravessa intacta a vida escolar e adulta. George Loewenstein, na teoria da lacuna da curiosidade, explica que o desejo de saber nasce quando percebemos uma distância entre o que já entendemos e o que ainda queremos compreender. Em outras palavras: curiosidade depende de espaço. E muitos de nós foram educados em ambientes que fechavam esse espaço rápido demais.

O resultado não aparece apenas nas crianças. Aparece em nós, adultos também.

Muita gente cresceu em contextos em que o foco era obedecer, se adaptar e “dar conta”, muitas vezes com pouco espaço para explorar, insistir, duvidar ou se demorar em uma pergunta. Hoje, isso reaparece nas escolas, nas reuniões, nas lideranças e até na forma como lidamos com as crianças: respondemos rápido, corrigimos cedo, avançamos antes de entender.

Alison Gopnik propõe que crianças aprendem como pequenos cientistas: observam, testam, revisam ideias e constroem modelos sobre o mundo. Talvez o problema nunca tenha sido a pergunta. Talvez o problema tenha sido o ambiente que ensinou a não sustentar a pergunta tempo suficiente para ela virar pensamento.

Se queremos educar melhor hoje, talvez precisemos começar por uma correção mais difícil: corrigir em nós mesmos a pressa de encerrar o que ainda está sendo descoberto.

O que aconteceu com a sua curiosidade ao longo da vida?

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